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Educação

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No parque, observei três meninos na fila da torneira, esperando para encher de água o baldinho. Molhar a areia para construir castelos, piscinas, um mundo todo de terra e água na palma das mãos. Os três na fila, as mães no banco, conversando sobre trabalho e esmaltes. Uma das mães, que não era mãe de nenhum dos três meninos, aproveitava o domingo de parque para corrigir provas dos alunos, enquanto as quatro crianças que ela trouxera a interrompiam constantemente, pedindo chocolate, pedindo refrigerante, pedindo pra mãe salvar da altura do brinquedo. A mãe e suas quatro crianças tomaram minha atenção por instantes, mas o aprendizado daquele domingo ensolarado estava mesmo na fila da torneira.
Enquanto os três meninos aguardavam pacientemente sua vez, uma senhora passou na frente deles, sem dó nem piedade, para encher uma garrafinha. Um dos garotos, com aquele ar sem ironia nem arrogância que toda criança de uns seis anos pode ter, perguntou; “Tia, a senhora não tinha que ‘tá’ lá trás?” Ela fez que nenhuma palavra foi dita. O garoto esperou a adulta saciar sua sede, eles encheram os baldes e voltaram contentes para a areia.
Do banco, só me restou torcer. Torcer para que o menino conserve sua sabedoria de pequeno, de saber quando as coisas estão erradas e de saber que isso deve ser dito em alta voz. Esperamos, menino, que mesmo ignorada, a voz da justiça um dia seja ouvida. E eu espero, “tia”, que seu encontro ocasional tenha servido ao menino. E que, se preciso for, mais “tias” encontrem meninos para que eles saibam, em todas as filas, em todas as esquinas, em cada dia, o que não deve ser feito.
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Se contém

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Paixão é cócega, das que arrepiam e explodem num riso descontrolado. A gargalhada acaba não sendo por gosto, nem por desgosto, e no fim a gente acaba rindo mesmo por ter perdido o prumo. E diante do cocegador a gente fica incerto se esconde o pé ou aperta o braço bem juntinho do corpo, pra não se perder na explosão incontida da gargalhada, ou então se se rende logo, pelo bem da risada. Mas ninguém se entrega fácil, muito menos foge de imediato. Cócega boa é aquela que vem sem aviso e cocegador bom é quem sabe fazer com jeito malandro, mesmo diante do apelo (metade rido metade chorado) do seu cocegado. Paixão é o exato momento em que ambos se olham e estudam o movimento alheio, mas sem ter certeza do que vai dar e como vai dar. Paixão é descontrolar.
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Manual

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Eu já dosei, refleti e analisei tudo. Meu erro está em não saber medir. As palavras ou as emoções. Daí tudo se esparrama, foge ao controle. E no final é cada um num canto, perguntando-se por que se estão os dois ali, sobra solidão. Perguntando-se se tudo o que é preciso está ali, falta um tanto. Quem sobra, quem sabe, quem sobe, quem até sibila, quem será que, no final, assovia uma canção? A nossa, qual é? São os sons que descrevem as histórias de amor com sintonia, são os sons, mas não só. Tem também as letras e as palavras, que juntas formam os textos. Todos dedicados a mim. E eu nem sei o que responder, os meus também são, todos dedicados a você? Não, é mais, sou eu. Inteira sua.
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São Paulo

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Tem sempre dois metrôs: um que vai, um que volta
Tem sempre duas escadas rolantes, a que sobe, a que desce
Tem sempre dois lados da avenida, um pra lá, outro pra cá
Tem sempre alguém descendo do trem, alguém entrando nele
Tem sempre alguém desembarcando na rodoviária e alguém indo embora
Tem sempre alguém ganhando, tem sempre alguém pedindo
Tem sempre alguém rindo, alguém chorando

Uma coisa é sempre igual:
Sempre, sempre, sempre chove.
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