As maçãs, o ponto azul e nossas formas de pensar

No mundo existem 7.500 variedades de maçã. Aprendi na lâmina da bandeja do McDonald's. Aliás, aprendi hoje que aqueles papéis se chamam lâminas de bandeja. O fato é que eu adoro maçã. A gala e a fuji, bastante. Da argentina eu não gosto. É, aquela mesmo, pela qual o povo paga caro. Para mim a casca tem gosto de papel, artificial.
Pensando nas maçãs eu pensei em tudo que existe aos montes por aí e a gente desconhece. No mundo em que nos inscrevemos, circundamos uma linha em volta e, assim, no que tratamos de conhecer dentro desse espaço. Limitado, claro. Sem negativismo, não somos nômades nem anormais para conhecermos o mundo inteiro, para nos jogarmos numa aventura sem precedentes para devorar tudo. Além do que, quanto mais nos distanciamos em busca do outro, nos privamos de conhecer (ou conhecer mais) o que está bem debaixo do nosso nariz. Cada escolha uma renúncia, esse eterno paradoxo.
Embora seja impossível conhecer o mundo todo, tenho a abafada ânsia de conhecer o máximo que posso e acho que uma das formas mais lindas de conhecer o outro é aprendendo sua língua, apreendendo, enfim, sua identidade. Porque cada língua é uma forma de pensar e ao estudar um idioma isso se torna muito óbvio. Começamos ao traduzir ao pé da letra toda e qualquer coisa, para depois chegarmos à conclusão que só raciocinando naquela língua conseguimos nos expressar através dela de fato. Um dos exemplos mais instigantes aprendi em um curso de redação. Enquanto falamos em “ganhar dinheiro”, como se fosse uma dádiva dos céus, os americanos preferem “to make money”, ou seja, riqueza não se ganha, se conquista.
Alguns outros exemplos aprendi com a Rosana Hermann, aqui:

Rosana Hermann from TEDxPortoAlegre on Vimeo.

Uma língua não é apenas um conjunto de palavras e estruturas gramaticais partilhadas por um grupo de pessoas, mas também uma forma de raciocinar, de verbalizar como agimos e como vemos as coisas. Animador pensar nas infinitas possibilidades que temos ao desvendar o mundo estudando códigos linguísticos de outros povos, desanimador pensar em quantas maçãs eu deixarei de provar. Mas o mais irônico é pensar que a partir dela, de uma maçã, ou pelo menos de uma informação sobre ela, todas essas divagações me surgiram, aumentando minha vontade de conhecer o mundo, mas entendendo minha insignificância, afinal, somos apenas um pálido ponto azul no universo. Engraçado é pensar na maçã como um símbolo capaz mesmo de abrir os olhos para o conhecimento.

2 comentários:

{ Eduardo Machado Santinon } at: 14 de janeiro de 2012 16:17 disse...

Você me encanta, e me orgulha, sempre.

{ Klaus Pettinger } at: 26 de janeiro de 2012 18:06 disse...

Steve Jobs adoraria ler esse texto!;p
Mas uma confissão: como trabalho muito com traduções, confesso que muitas vezes odeio os homens por terem tentado construir a torre de Babel...hahaha Alias, todos nossos pecados surgiram da mordida de uma... Um iPad para quem acertar! ;p Wunderbarer Text e viva o Google Tradutor!

 

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