A cobra grande

Vi a jiboia pelo vidro. Ela estava quieta, me olhava de um jeito parecendo sorrir. Eu estava dentro da casa, ela fora, num jardim, ou matagal. Tive medo dela, passava pelo corredor onde estava a janela sempre correndo. Falava para os outros com temor, atordoada. Ela nunca vai sair dali, nunca vai entrar aqui, me diziam. Uma hora espiei e parecia não acreditar. Ela estava entrando por uma fresta, rastejando-se para dentro. Olhei nos olhos dele com aquele pânico misturado com: e agora, nego? Pois é, ela entrou. Me vi caída no chão e enrolada por ela, sem poder fazer nada. Sozinha, imóvel, conivente. Nem pânico tinha mais. Era só certeza. Certeza que ela tinha vencido. A cobra, com os olhos grandes e gélidos, olhando para mim com expressão fria enquanto me enrolava. Enquanto me vencia. Acordei sobressaltada, enquanto ele dormia tranquilamente.
Ela não vai entrar aqui, você tem razão. Meu medo não irá me vencer e, enquanto ele for pequeno, continuarei agindo tranquilamente, como os outros. Como se a cobra não existisse na janela. Até que um dia ela cansa de me fitar e vai embora. Simples assim.

3 comentários:

{ Eduardo Machado Santinon } at: 2 de janeiro de 2012 14:08 disse...

Ela cansa sim, percebe que não tem chance e vaza se cagando de medo.

{ Michele Matos } at: 3 de janeiro de 2012 09:18 disse...

E enquanto ela estiver ali é melhor ignorar sua presença. =)

{ Scheyla Horst } at: 4 de janeiro de 2012 12:14 disse...

Nossa, que tenso. Lembrei das idas ao passeio público e da sensação ao ver as gaiolas, haha.

 

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