Descoberta


Descobri que há uma fragilidade em estar gripada que me fortalece. Há alguma coisa na voz fanhosa, nos espirros constantes, na dor no corpo que me faz pequena, carente de colo, de atenção. Há alguma coisa no fato de estar gripada, nariz cheio, olhos inchados e noites mal dormidas, que me lembra da minha pequenez, de que não sou aquela fortaleza que pretendo – ou preciso – ser. Essa provocação do meu corpo comigo me lembra que minha autossuficiência conflita com a menina que pede arrego.
E não há coristina que cure manha, não há amor que resista a tanto dengo.
E quando eu insisto em dizer que estou quente, mesmo não tendo frio, mesmo nunca tendo febre, ele pega o termômetro e no caminho desliga o ventilador, indispensável em suas noites de verão.
E nem pede para que eu me cubra, aguentando o vento.
E se derrete feito vitamina C efervescente me fazendo cafuné.

2 comentários:

{ Eduardo Machado Santinon } at: 29 de fevereiro de 2012 19:55 disse...

Antes suar combatendo os sintomas do que sucumbir sem ti, minha dipirona.

{ Michele Matos } at: 3 de março de 2012 15:16 disse...

E é pra isso que serve gripe *-*
Que nunca tenhamos que passar por nem um simples resfriado sozinhas, amém.

 

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