μάθημα


- Eu estou certa.
- Eu estou certo.
Acho incrível como não podemos perceber que a vida não é matemática. Dois resultados diferentes podem estar certos. Se eles estão certos quer dizer que simbolizam, para cada pessoa, o seu resultado particular. E de particularidade em particularidade, vamos somando as diferenças. Lindo, não? Na minha prova real não deu certo. Tentei somar e ficou alguma coisa faltando, alguma coisa sobrando. Uma particularidade ao fundo gritando: espera aí, que eu não fui incluída nessa somatória! Então vem! Não vou, não vou porque não concordo.
Não sou boa em Matemática. Ela é perfeita demais, portanto complexa demais e eu resido numa abstração simplificada. Está tudo ao avesso, hoje te odeio, amanhã te sinto amor, não suporto mais, vem para cá, quero ir embora, acho lindo isso de ficar. Para mim essa roda viva é compreensível. Raciocínio lógico não.
O que é mais absurdo nessa coisa toda é que nesse gira-girar eu compreendi algo. Uma epifania, não tem isso em matemática. Aprendi que não tem certo nem errado, tem a somatória possível e a impossível. Melhor, tem a somatória possível agora, a impossível agora, mas possível logo mais adiante, a impossível sempre e a possibilidade que baila entre o agora e o adiante que a gente vai tentando descobrir se é ou não é a vida inteira, como um objeto de estudo que a gente elege para todas as pós-graduações.
- Par!
- Ímpar!
Somaram os dedos e deu um número. Sempre dá, malandra matemática. Deu ímpar. Não mais um par.

2 comentários:

{ Eduardo Machado Santinon } at: 5 de março de 2012 17:13 disse...

Verdades
O fato de outros discordarem de nós (não prezarem o que prezamos, e prezarem justamente o contrário; acreditarem que o convívio humano possa beneficiar-se de regras diferentes daquelas que consideramos superiores; acima de tudo, duvidarem de que temos acesso a uma linha direta com a verdade absoluta, e também de que sabemos com certeza onde uma discussão deve terminar antes mesmo de ter começado), isso não é um obstáculo no caminho que conduz à comunidade humana. Mas a convicção de que nossas opiniões são toda a verdade, nada além da verdade e sobretudo a única verdade existente, assim como nossa crença de que as verdades dos outros, se diferentes da nossa, são "meras opiniões", esse sim é um obstáculo.

Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, Zygmunt Bauman
Pág. 81

Tenho a certeza que nós nunca teremos as mesmas crenças, costumes e visões das coisas, assim como tenho certeza de que sempre seremos um par. Eu te amo.

{ Paula de Assis Fernandes } at: 11 de março de 2012 21:20 disse...

Tati, só pra variar amo sua narrativa. Mesmo que de fim, mesmo que de dor, mesmo que. E preciso dizer - desculpe a invasão - que sempre achei lindo seu par, pela admiração dos textos que já tinha. Mesmo assim, caso não seja mesmo o seu par, que você encontre um que te faça feliz. Que te ajude a entender a matemática e que te faça perceber que a lógica também pode ser simples: opiniões diferentes se completam, até se embasam. Juntas, contam uma - ou mais - histórias. Que a sua seja linda. Torcendo por ti, querida. Sempre. Beijooo

 

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