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Escrevi num dia de muita chuva. E fez sentido.

Eu não aguento mais tanto choro, tanto respingo, tanta água rolando, não aguento mais São Pedro trabalhando, não aguento mais umidade, tanta falta de secura, me satura, não quero mais esse pranto copioso, esse estado pluvioso, não suporto mais o cinza da cidade, navegar mais nesse rio, não aguento essa ansiedade, esse vidro que embaça, essa roupa que não seca, essa garoa ilimitada, não aguento o pé molhado, a poeira que não larga, misturada com a água, vira lama, vira drama, suja todo meu programa, não aguento desviar da poça, do carro que passa, pela poça, eu fico é com essa fossa, dessa lira paulistana, essa ira dessa água, não aguento mais esse rio, esse frio, esse guarda-chuva que extravio, não guento, quero logo um unguento, para esse tempo nunca seco, não aguento sinal fechado, essa saudade, vontade de estar seca, essa enxaqueca, da vida úmida, esse rolar de lágrimas celestial, que me embala e me diz: quero dia de sol, não de sal. 

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E eu gostaria dum tênis novato, espesso solado, no andar dois pés secos, ficando lá fora o molhado,desejo frustrado pelos buracos do meu tênis furado.

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