Leitores anônimos


Eu tenho blog há uns 6 anos. Existia uma onda desses diários virtuais e eu decidi começar o meu sem ter muita ideia de como o preencheria. Quando leio meus textos antigos nem me reconheço. No começo ficava bem, bem, bem tímida se alguém queria saber o endereço. Não divulgava nunca. Hoje eu divulgo, espalho links pelos ventos. Perdi a timidez de ter o cotidiano lido, ganhei a cara de pau de espalhar meus segredos por aí.
Dia desses, conversando com um colega de profissão lá do Paraná que eu não via há tempos, soube que ele lê meus textos. Um amigo de infância do meu irmão disse a mesma coisa. Minha mãe contou que uma prima distante lê também e, por ironia, eu quase não sei mais nada sobre ela. Por isso me fico me perguntando quantos passam por aqui uma, duas, cinco vezes ou frequentemente e eu nunca saberei. E isso é muito bom.
Eu gosto bastante da ideia de ter gente querida passando por aqui, porque a maioria diz que é uma forma de saber da minha vida. Parece que eu dei mesmo ao blog aquele sentido de diário, como quando ele foi criado. Mas soube de gente que nem me conhecia e lia, o que me deixa feliz também. Quem sou eu expressa em letras e vírgulas, para pessoas que nunca me viram, que só me conhecem assim? Queria saber qual é essa imagem, se ela condiz com a realidade.
Mas quem sou eu para falar disso... Sou também uma leitora anônima de vários sites e blogs de desconhecidos e me mantenho assim por não saber como me pronunciar. Também crio minhas imagens daqueles criadores de textos. Talvez eles nunca saibam qual é.
Então, eu só queria dizer que me deixa realmente emocionada, nesse tempo de escrivinhança, não são os números e estatísticas, nem qualquer elogio ou reconhecimento. O que realmente me honra é a possibilidade de fazer sentido, de ter uma visão compartilhada com um outro - conhecido ou não - em uma das esferas que mais gosto, a da escrita (foi mais ou menos o mesmo que disse no texto de abertura).

Obrigada por me proporcionarem isso.

2 comentários:

{ Mai } at: 8 de junho de 2012 11:34 disse...

É isso que eu acho mais interessante no blog. A gente pode ver os escritos de pessoas que a gente nunca viu e nunca vai ver na vida e ver os comentários de pessoas que a gente não faz nem ideia que existem, como eu. Eu conheci seu blog através do blog das 30 pessoas, que sabe Deus como encontrei, só sei que o visito até hoje e raramente comento alguma coisa. Gosto de muitas coisas que você escreve aqui e me apaixonei pela "Carta para as amigas". Espero que continue escrevendo por aqui, mas que tenha cuidado com o que escreve como o seu endereço, por exemplo. Acho super perigoso isso.


Abraços!

{ Klaus Pettinger } at: 8 de junho de 2012 21:05 disse...

Eu que agradeço, Tati! Eu já tinha meu primeiro blog antes de conhecer o seu e mudei meu conceito de escrever o tal diário digital desde então - sim, vc me influenciou, senhorita!
Mas o que acho mais engraçado no escrever blog é qdo a gente desenvolve "AQUELE" texto, fica duas horas escrevendo, reescrevendo... depois mais 1h diagramando e corrigindo, posta e... e... e... nada de comentários ou contador de visitar rodando adoidado! Aí vc encontra os "amigos" no Face ou MSN e, com a cara mais deslavada, eles se desculpam: eu ia ler, mas é que o texto estava meio longo e aí... Poxa, ler demora 10min e escrever, 3hs... Mas OK, eu aprendi a perdoar a todos, porque faço a mesmíssima coisa!!! Continue assim, assídua, pois seus textos nunca cansam!

 

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