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Mostrando postagens de Julho, 2012

Como é que dói ser demais, ser até

Apenas um bocado de vontade. Vontade de te satisfazer. Desde o primeiro concurso de redação. As viagens, a busca pelo mundo, não sem uma foto junto, pra mostrar que fiz. Tudo que fiz é você ali. Sua imagem analisando se está bom. Os livros devorados angustiadamente, as palavras decoradas milimetricamente. As tentativas frustradas de emagrecer seguidas de ataques de fúria à comida que eu sorvia desesperada. Mente. Choro de acompanhamento. Engulo o título nunca obtido de primeira da sala. A mesma garota gorda e desajeitada, que não é bem resolvida o suficiente pra lidar com os apelidinhos da amiguinha má. Sim, eu sou essa gorda baleia e sendo assim, obesa e palerma, eu choro cá. Não, tenho que virar a mão, fazer sofrer. Sou só eu que sofro. Essa menina que permite que os outros a definam ainda existe. E a incapacidade de se fazer definir é a única coisa forte nessa personalidade quebradiça e infantiloide. Não importa quantos portos, quantas fotos, quantos concursos. A maior juíza ainda …

Pão quentinho

Se me pedissem para resumir o que é viver em São Paulo, eu exemplificaria com o que aconteceu hoje comigo no mercado. Estava na fila da padaria quando uma moça perguntou sobre o pão francês. A balconista disse que ainda tinha alguns, mas que novos sairiam em 3 minutos. A moça foi comprar outras coisas e voltaria depois. Decidi esperar. Fiquei observando o relógio no forno piscar em ordem decrescente. Em três minutos dá pra se pensar em muita coisa. Enquanto esperava meu pão quentinho, um rapaz pediu alguns pães. Ainda restavam uns na cesta. Eu toquei em seu braço, apontando para o forno: “em dois minutos e meio tem pão quentinho...” Ele respondeu com um semissussurro e uma risadinha meio “vou sair de perto dessa louca”, enquanto pegava seu pacote de pães passados. Restou-me refletir por que alguém não se demoraria por pouco mais de dois minutos em troca da felicidade de comer um pão que sai fumacinha. São Paulo é isso. Não se tem tempo para esperar dois minutos, mesmo que esses dois m…

Dos males o metrô

Costumo dizer que Deus deu a dignidade aos homens mas cortou o benefício para quem pega a linha vermelha do metrô. Não acredito em ninguém que me diga ser civilizado pegando metrô naquele fluxo de gente, em dia de semana, horário de pico. Uma vez li que 3 milhões de pessoas se deslocam da Zona Leste para trabalhar e estudar todos os dias. Creio que 95% delas estão no metrô que pego toda manhã. É porque eu moro na última estação antes da Sé, onde desemboca tudo. Então, na minha estação chegam metrôs lotados de outras 11 estações - acredito que as mais badaladas em termos de transporte público.
A primeira vez que peguei (ou melhor, tentei pegar) o metrô na vermelha, entendi o que as pessoas querem dizer com: barbárie. Depois do 5º metrô passar e você não entrar, você espuma. É preciso estar preparado para pegar suas armas e lutar, como gladiadores em uma arena. A luta não é só física, mas também psicológica (já presenciei pessoas usarem palavras de baixo calão a fim de desestabilizar o…