Perguntador


- Pai, o que é imensidão?
O garoto esperava a resposta, a sobrancelha arqueada, a pose de quem questiona algo extremamente necessário para voltar os olhos ao livro que segurava em mãos.
O pai cogitou abrir a boca para falar de grandeza, de mar, quiçá de um campo sem fim, de tudo aquilo que não se vê partida e chegada, daquilo diante do qual nos calamos, como forma de reverenciar o que nos comove em nossa pequenez.
O menino desafiou o silêncio com uma pigarreada, a resposta era pertinente demais para continuar sua leitura de menino de 8 anos, ávido leitor, ávido perguntador, ávido descobridor de palavras.
Viu o filho esperando sua resposta, a sobrancelha ainda mais arqueada, os lábios de um lado para o outro, um tique nervoso adquirido desde a mais tenra infância, coisa de quem anseia por respostas, o tempo todo. A franja quase em cima dos olhos, pequenininhos, que quando curiosos se fechavam ainda mais. O filho um pouco impaciente, talvez até meio triste, um ar melancólico de quem desconfia da onisciência do pai.
Quis falar do imenso. Conseguiu dizer apenas:
- ...é o que eu sinto por você.

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