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Mostrando postagens de Agosto, 2012

Hoje levei um cuspe na cara

É sério. Estava andando na rua, sozinha, às duas da tarde e levei um cuspe na cara. Tão engraçado como deve ser para você ler isso foi assustador para mim passar por isso. Surreal e nojento para leitor e autor. Aconteceu muito rápido. Estava passando por uma rua simpática e florida e um cidadão veio de encontro a mim do outro lado da calçada. Dei um passo para o lado no meio da caminhada e ele deu para o mesmo lado. Foi quase perto que notei que não ia escapar. De um ataque, um assalto, tome aqui meu celular seu moço, meus cartões, meu colar de capim dourado. De um estupro, assim, tão de dia, como que pode. Não. Foi um cuspe. Ele não me encostou um dedo, não me bateu, nem empurrou, não me arranhou. Me cuspiu, com os lábios, não um cuspe escarrado, nada de catarro. Mas choveu saliva em mim. É isso, foi um cuspe chuva. Atônita, como estou até agora, continuo embasbacada com o descaramento do sujeito que passou por mim e me lançou a cusparada. Olhei para trás e ele andava tranquilamente…

Perguntador

- Pai, o que é imensidão? O garoto esperava a resposta, a sobrancelha arqueada, a pose de quem questiona algo extremamente necessário para voltar os olhos ao livro que segurava em mãos. O pai cogitou abrir a boca para falar de grandeza, de mar, quiçá de um campo sem fim, de tudo aquilo que não se vê partida e chegada, daquilo diante do qual nos calamos, como forma de reverenciar o que nos comove em nossa pequenez. O menino desafiou o silêncio com uma pigarreada, a resposta era pertinente demais para continuar sua leitura de menino de 8 anos, ávido leitor, ávido perguntador, ávido descobridor de palavras. Viu o filho esperando sua resposta, a sobrancelha ainda mais arqueada, os lábios de um lado para o outro, um tique nervoso adquirido desde a mais tenra infância, coisa de quem anseia por respostas, o tempo todo. A franja quase em cima dos olhos, pequenininhos, que quando curiosos se fechavam ainda mais. O filho um pouco impaciente, talvez até meio triste, um ar melancólico de quem …