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Mostrando postagens de Setembro, 2012

Não sei mais ralar joelhos

Esses dias eu caí na rua feito fruta madura. Derrapei na sandalinha sem salto e fui direto pro chão. De primeira machuquei a mão, um tiquinho do dedão e o joelho. Esse sim, feio. Arranquei a tampa do coitado. Como sempre me ocorre nessas situações, fingi que estava ótima e saí andando o mais natural possível. Ainda ouvi um: “tudo bem, moça?”, respondi meio no sussurro e tratei de sumir. O sangue logo coagulou, quando deu parei para lavar com água e sabão e comprei uns curativos. Achava que estava tudo bem, até o danado do ferimento começar a cicatrizar. Coça, dói, arde, tem uma área em torno da ferida que fica quente, igual uma febrezinha. Hoje nasceu uma pelinha por cima feia, molenga. Sinto dor pra subir escada, quando paro em uma determinada posição e saio andando, dói pra valer, como se a pele estivesse sendo repuxada. Lateja sempre. Não entendo como pode incomodar tanto. Poxa, eu fui uma criança ativa, ativamente arteira e ralei inúmeras vezes meus joelhinhos. Não lembro desse …

Fosse minha

Eu não sou daqui, eu não sou aqui. Eu estou aqui. Há uma sutil diferença entre essas três sentenças. O paraíso de alguns, a correia nostálgica de outros, para mim é apenas a parada na minha rota. O tempo de rever quem fui, mesmo sendo tão difícil de me reconhecer nas ruas reformuladas, nos pontos de referência que conflitam com meus retratos.
O calçadão, batizado assim pelas antigas pedras brancas e pretas dispostas lado a lado, virou uma rua qualquer. Pergunto na loja de botões onde encontro uma presilha, ela me aponta e pergunto: “no calçadão?”, denunciando minha idade. Ninguém vai colher todas as lembranças que deixei impressas ali, nas pedras que já não contam mais histórias. Alguns anjos me roubaram o coração nesses e em outros bosques chamados solidão.
Mas, ao contrário do que se poderia supor, não são velhas as minhas lembranças e novos os caminhos que aqui traço como estrangeira. São os portões de ferro de agora que desafiam os ardilosos feitiços do tempo. É a pintura recente…