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Meu outubro, meu braço no mundo

Outubro é meu mês de renascer. Aos 24 acaba o ciclo, recomeça. Só do tempo eu não posso me livrar, 28 vezes já foram esse acabar e reiniciar. Quando pequena eu dizia que esse era o mês mais lindo do ano. Sempre gostei de uma festinha. Hoje adulta continua me apetecendo. É o mês do meio. Do meio da primavera, do meio do outro meio do ano. É cheio de aniversários, é cheio de promessas.
Eu adoro meu aniversário. Não sei se é pelas lembranças das superproduções de minha mãe, ou se é pelo me sentir lembrada, especial. Não sei se é pelo Plutão, o signo de Escorpião, o da regeneração, dos renascimentos. Mas o fato é que mesmo hoje mais velha não sinto o peso de fazer (ou ganhar) anos. Sou doida por esse recomeçar.
Especialmente neste inferno astral acredito que esteja renascendo mais do que nunca. E se o que é mais doído, mais difícil, nos faz crescer mais, eu quero é me livrar logo desse casulo. Me livrar e me metamorfosear. Principalmente dessa carapuça de mocinha, ingênua, entregando todos os pontos e recebendo de volta o tricô já feito, a opinião dos outros formada e para mim assinalada. Já não sei viver só. Mas tenho o direito de querer gente de bem aqui comigo.
Do que fui, quero carregar a fé, nuvem no céu e raiz. A fé que me engrandece, quando o cansaço das coisas, de todas as coisas, me deságua. O elo entre mim e os meus, que estão lá longe (de distância e de tempo). Quero a fé e a força do supremo que me fazem enxergar o rio à frente, pronto a navegar, me convidando pela mão, mas prontas pra me empurrar. De muito medo foi feita a minha caminhada. Graças.
Eu fui descobrir só maiorzinha que grandes nomes nasceram no meu mês. O Milton Nascimento vivia falando em outubro, fui procurar e lá! É do 26. O Vinicius, o meu Vinicius, é do dia 19. O Pelé nasceu um dia antes do meu aniversário, 23. Até o Maradona é de outubro, 30. O Cartola, grande, dia 11. Fernanda Montenegro, 16. Até o Wando, minha gente, nasceu dia 2. Mais do que uma lista de celebridades, meu mês tem toada. Tem canto.
Brado forte para que, como diz o próprio Milton, venham muitos e muitos outros outubros, renascendo em mim outra Tatiana. Que venham outras manhãs, plenas (sempre) de sol e de luz. Sol pra queimar, luz pra guiar. Sol pra cobrar, luz pra crescer. Sol pra envelhecer, luz pra enternecer.

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