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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Instasize

Se a foto não cabe no quadradinho pré-destinado, merece ser publicada?
Se o instante não cabe na dor de sentir, merece ser vivido?
Se o sentimento não cabe no tempo da espera, merece ser pingado?
Se as perguntas não cabem no possível, merecem ser marteladas?
Se a foto em preto e branco não cabe na moldura, merece ser exposta?
Se a ferida não cabe na cicatriz, merece ser chorada?
Se as letras não cabem no espaço predestinado, merecem ser lidas?
Se as expectativas não cabem no oráculo, merecem ser frustradas?
Se não mereço, não caibo?

Presságio

Dez dias antes de perder um amor, comprei duas taças de cristal. Para receber o vinho, para recebê-lo em meus braços. Trouxe as taças com carinho e cuidado. No balanço do caminhar, uma se encostava na outra, mas protegidas estavam pelos seus invólucros. Pelos receios comuns do início do amor. Em casa, em cima da pia, em silêncio, ouvi. O choque. Uma se quebrou. A outra permaneceu intacta. Dez dias antes de perder meu amor, uma parte do par se quebrou. Não foi a bola, foi a taça de cristal que me trouxe o prenúncio. Hoje tenho apenas uma taça. Eu devia bem ter desconfiado.

Da natureza das coisas que terminam

"A vida é uma longa despedida de tudo aquilo que a gente ama" (Victor Hugo)

Querida São Paulo,
Hoje o ano recomeçou para mim. Por coincidência, junto com nossos aniversários – o seu e o meu, aqui. Por coincidência, coloquei hoje o mesmo vestido que vesti da última vez que o ano começou. Há exatos 25 dias, eram outros sonhos, outras esperanças, outros os sentimentos. Como é comum no dia em que comemoramos a minha chegada em suas paragens, revejo a minha relação contigo, cidade pulsante-fria, cidade solar-nublada. Meu paradoxo preferido. Por coincidência, meu recomeço de ano foi paradoxal. De tanto esperar vida nova, veio a morte, racional ambivalência. De tanto esperar recomeço, veio fim. Taxativo, calculado, assinalado. De tanto esperar volta, veio corte. Reto, seco, uniforme. Sem volta. No dia do meu recomeço perdi um amor. Na perda, no fim, na morte, no corte, há sempre um recomeço. Um trem que chega é o mesmo que parte. Um encontro, ainda assim é uma despedida. O não perte…