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Mostrando postagens de Maio, 2015

De onde vim

Para um nômade, pergunta pior não tem que: “De onde você é?”. Acostumado a ver o chão de passagem, e não sob a insígnia de raiz, aquele que viaja e pouco para tem motivo de sobra para querer adiar a resposta. “É uma longa história”, geralmente se segue. Pois para mim, que nem venho de tantos lugares palpáveis, mas tantos e tantos imaginados, a pergunta certa não devia ser de onde sou, porque minha identidade está perdida num jogo de espelhos. Devo responder, sim, “de onde você vem?”. Porque eu venho. Venho, esse movimento sem assinalar direito ponto de partida. Venho de uma terra que ficou etérea nos meus sentimentos, presa num canto chamado saudade. Nem sempre saudade doída. Às vezes só saudade. Venho de um lugar com campos a perder de vista e árvores de raízes tão grossas que é difícil entender essa falta de pertencimento. Venho de um tempo que era meu camarada. Que não me pedia para ser ou ir, ele só passava. Suave, tão suave como aquelas tardes. Aquelas que se perderam no meu in…