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Miga, me ajuda

Me ajuda, miga. Mexeu com uma, mexeu com todas. Então, miga, não fala que ela precisa de um trato. Não fala que ela é puta, ou que ela “se passou” porque bebeu. Não existem limites de passamento quando se trata de um homem, então, miga, sua loca, pra que riscar uma linha até onde pode ir sua colega?
Empodere-se, miga. Mas ajuda a miga a se empoderar também. Não a diminua, nem que seja pelo gostinho sacana de entortá-la para parecer maior. Miga, isso é loucura. Não diga para a miga que você supervisiona que ela tem que se arrumar mais, porque do jeito que anda vai perder o namorado. Não tem a ver com maquiagem, tem a ver com relacionamento. Se para ele falta maquiagem, miga, é um problema muito sério dele. Não tem que ser seu. Miga, isso não pega bem nem como miga, nem como miga que acha o feminismo o máximo. No facebook.

Facebook. Da Página: Empodere duas mulheres

Não diz que ela merece (o que quer que seja), miga. Não faz isso comigo. Ela não merece, eu não mereço, você não merece, nenhum ser humano merece. Miga, chega de propagar essa culpa. Essa ladainha que a gente recita até de olho fechado. Não combina com a gente, miga. A gente é forte, mas a gente tem que lembrar que somos a gente. Não é ela e você, não é você e eu. Somos várias migas ressurgindo contra tudo aquilo que há milênios nos dizem pra ser. Ou como ser. Ou não ser.

Artista: Owen Gent

Não insinua qualquer coisa de uma miga porque divide a casa com outra mulher. Porque se ela não casou, miga, isso nem seria motivo de chacota. E nem se ela não gostasse de homem, miga, não seria da sua conta. Mas não vem com julgamentozinho torto, não faz a cara das miga ficar no chão. Porque, miga, convenhamos. Você deveria era achar bonito mulher que paga as próprias contas, mesmo rachando com a companheira de apartamento, sem depender de pai, marido ou namorado. Não deveria, miga, usar algo que pra você é ofensa para tentar expor ou avacalhar a vida dela.


Facebook. Da Página: Empodere duas mulheres

Lembra, miga, a gente não diminui a outra. A gente exalta a outra, porque juntas somos mais. Porque, miga, mulher independente é pra ser aplaudida, por mais que você não seja. Somos companheiras de ultraje e de batalha, então, não vá se digladiar com outra do mesmo lado do combate. Miga, não seja louca.
Foto: Fernando Sato/Jornalistas Livres, durante protestos em São Paulo - 2015

Me ajuda, miga. Não é que não pega bem. Não é só porque você compartilha textão no Facebook defendendo as miga, mas na prática reproduz o mesmo discurso machistinha do seu tio-avô. É porque, miga, a gente tá junto nessa. Quando você recrimina a outra, está dando comida para aquilo que também te fere. Te machuca, te humilha, te estupra. Te diminui.
Miga, seja menos. Menos machista, menos contraditória, menos incoerente. Seja mais miga das miga. Me ajuda a ser sã quando eu também escorregar. Quando eu for louca de mesmo em pensamento tentar ferrar a outra. Não é que é mais bonito, miga. É questão de sobrevivência. Minha, sua. De qualquer uma.
Facebook. Da página: Feministas Revolucionárias. 


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