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Para o norte pedido, girassóis

Não sei mais do que sou capaz. Acredito piamente em um esgotamento da fé sobre a raça humana. É possível ter esperança por um período, mas ao final de uma semana, um mês, um ano que seja, sem forças, sem braço, o cansaço toma conta. E não é aquele cansaço físico, nem o mental. Não é aquele cansaço de ter carregado lenha, é o de não saber por que se está procurando o fogo. Parecem esgotadas todas as possibilidades. “Tudo que você podia ser”, sabe quando o Milton canta no som do carro? Tudo aquilo que a gente não é, ainda não foi, é sofrido, mas tudo o que a gente não pode ser mais é arrebatador. É como se ver em um canto da praia, sobre as pedras, e de repente cair a ficha de que aquela imensidão existe, mas não é sua. É inalcançável. Não ser importante, não ser milionário, não gritar a sua voz no mundo. Eu já atendi a todas aquelas obrigações que te ensinam desde cedo. Não pulei nenhuma etapa, estou aqui onde deveria estar, mas não estou. Satisfeita, plena, consciente, bem-sucedida, admirada, no topo, em paz. Você entende que não é só não ter chegado a lugar algum, não é sobre estar sozinha engolindo vinho até o sono chegar, não é sobre não ter concluído o projeto que não tem cara ou corpo. É sobre não ter um caminho, você entende?

Ele parou o carro. Ela olhou através do vidro do carro a coreografia dos para-brisas. Enxergou ao longe ele ensopado, caminhando com um vaso na mão.



Olha, não sei muito sobre percursos. Na verdade, nem sei muito sobre você. Mas acho que quando a gente procura um caminho, já está nele. Seu norte não está neste vaso, mas talvez eles ajudem você a encontrar o que está procurando, porque eles sempre sabem para onde ir.



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