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Mostrando postagens de 2017

Calúnia

Começa com algo simples, você vê um amigo que experimentou e acha bacana, sei lá, talvez um dia você também pode tentar. É um hobby, dizem, sua vida fica melhor. O desafio parece te rondar, a tentação está cada vez mais perto.
Logo, parece que todo mundo perdeu o receio e posta sobre isso nas redes sociais. Aí você inveja a satisfação delas, quer isso para você. Numa noite, despretensiosamente, você sai do supermercado, olha as compras, vê o seu retrato naquela noite monocromática e acha que sua vida precisa de mais cor. Então volta e na prateleira encontra. Uma pimenteira. Vermelha.
Você se empolga, mal vê a hora de chegar em casa para escolher o melhor lugar. Pimenta tira as más energias da casa, dizem. Você acredita nisso, tanto que também resolve comprar uma comigo ninguém pode. “Mas é uma folhagem imensa”. Não importa, importa é que as energias ruins vão embora. Você não se importa que um móvel ou outro também vá embora, porque tem de escolher entre eles e os vasos, que começam a…

Djamila

Ano passado, quando comecei minha formação como Promotora Legal Popular, perdi logo a aula inicial, com a filósofa feminista Djamila Ribeiro, pois tinha o casamento de um grande amigo. Compensei essa falta lendo tudo que podia sobre ela. Acompanho as suas viagens e leio o que ela escreve. Acredito que ela seja uma das minhas grandes referências. Hoje aqui na empresa teve um super evento sobre Diversidade Racial, com palestrantes externos. Por sorte, a Dow Brasil, empresa em que eu trabalho, aborda a questão da diversidade em sua totalidade, o que me faz uma pessoa feliz e orgulhosa. Tem redes criadas e mantidas por funcionários sobre questões envolvendo pessoas com deficiência, orientação sexual e identidade de gênero, apoio ao desenvolvimento profissional de mulheres e inclusão e equiparação de oportunidades para profissionais negros. Tenho certeza de que pedi muito para trabalhar num ambiente inspirador, inovador, transformador e hoje, com quatro meses de empresa, tenho cada vez ma…

Do que deixei morrer em mim

Não à toa, essa crônica vem bem no dia dos mortos. Trata-se de uma celebração de tudo aquilo que luto para deixar para trás.
Sempre aprendi que por ser do signo de Escorpião, era ligada aos renascimentos. Minha vida sempre foi ligada a eles. Morrer e reviver sempre fez parte de uma quase sina. Metaforicamente falando, sempre aprendi, como diz Cecília, a me deixar cortar e voltar inteira. Nunca tinha percebido o quanto nasci bem próximo do dia dos mortos e, talvez pela primeira vez, resolvi celebrar essa data. Decidi pensar no que deveria deixar para trás para receber toda a vida nova que ganhei de presente, mais uma vez.

Conviver com pessoas más
Quase inevitável. Convivemos forçadamente e a todo instante, no trabalho, na roda de amigos de amigos ou dentro da própria família. Mas vale o esforço. Afastar-se de pessoas más te traz mais disposição para a vida. Tem gente que tem um grande apego ao poder e faz o que pode para passar por cima de quem quer que seja. Dar um basta faz um bem da…

Quando criança eu achava que…

12
out A infância é – e deve ser! – um terreno fértil para a imaginação. Como hoje é o Dia das Crianças, nada melhor que resgatar aquelas pérolas que acreditávamos quando a gente não entendia nada nem um pouco direito.
Um GRANDE ator “Eu achava que ‘Grande Elenco’ era uma pessoa, igual tinha o Grande Otelo. E era uma pessoa bem requisitada, porque em todas as propagandas de filmes estava ele: Fulano, Beltrano, Ciclano e… Grande Elenco”. (Samuel Rato) Animais: um universo paralelo “Achava que cachorro que vacina anti-raiva era pro cachorro não ficar bravo de repente”. (Silvia Piccolo)
“Eu achava que antirrábica era para tirar o rabo do cão”. (Juliana Mori)
“Achava que ‘patinho’ era realmente carne de pato neném e ficava muito triste”. (Rafaela Viana)
“Meu irmão ficou sem tomar leite uma semana quando descobriu que a fonte não era o saquinho” (Cristiane Tada) Samuel Rato e Juliana Mori  Televisão e rádio era algo difícil de explicar “Uma vez eu perguntei pra minha mãe como os artistas da Glo…

Sobre a esperança: leia quando achar que nada vai dar certo

07
out
Como diria Leminski, “problemas têm família grande”, então, quando acontece algo ruim numa esfera da vida, parece que todas as outras querem participar. Quando estiver rodeado de problemas e nem um fiozinho de esperança, lembre-se desses pontos. Há cerca de um ano, eu e um amigo estávamos em frente à máquina de café, chorando um sem fim de preocupações. A gente era colega de trabalho e estávamos igualmente insatisfeitos com ele. Sabíamos que não era para a gente, que o futuro poderia nos reservar muito mais. Estávamos tão angustiados que nem nos lembramos de esperar. No fundo todos nós temos esperança, mas nem sempre nos lembramos de convidá-la para a roda. Acontece que hoje, mais de um ano depois daquele dia, tudo mudou e estamos bem melhores que antes. Conversamos bastante há uns dias, enquanto trocávamos novidades sobre nossos novos empregos. “Se a gente pudesse, voltaria hoje àquela máquina de café e diria: “Calma, vocês dois. Vai dar tudo certo”, foi a conclusão de ambos. Ho…

Pessoa, as redes e as plantas

"Todos meus conhecidos têm sido campeões em tudo", até mesmo eu, Pessoa, quando me habituo, como todo mundo, a expor uma vida apenas de vitórias, quando, na verdade, ela é também cheia de porradas. Tão igual à de todo mundo. Meu mais novo fracasso é esse pé de manjericão aí, acho que o quinto que matei, pelas minhas contas. "Estou farto de semideuses", disse Pessoa, muito antes do smartphone. Só postei essa pra mostrar que eu mato e morro. Assim, como todo mundo 😊



Sobre amar o próprio corpo: isso não é uma lição de moral

Um dia achei que usar cropped “sem culpa” seria minha definição máxima de felicidade. Aí uma outra blusa – pelo contrário, bem comprida – falou comigo. Eu não sei amar meu próprio corpo. Desculpa se te decepcionei. Achei melhor começar de um jeito sincero. Adoraria dar dicas e fórmulas de como atingi esse profundo estado alfa de autocontemplação corporal, mas não dá. Seria fake. O que posso dizer é que estou no caminho. E ele é trabalhoso, repetitivo, desgastante, nele você pode caminhar 20 casas e voltar 40. Posso dar um outro spoiler: só você pode caminhar nele. Cada uma tem sua própria rota, suas próprias paisagens, seus próprios pneus furados, seu próprio destino. Tarefa 1: desconstruindo o mito do cropped Tal como Hércules, meu caminho tem tarefas, ou trabalhos. Posso dizer que a primeira foi quando tive que desacreditar que seria feliz somente quando vestisse um cropped e embaixo dele uma barriga sarada. Deslizei em dois pontos. O primeiro é que todo mundo pode usar cropped (e …

Você já elogiou outra mulher hoje?

Pesquisa feita em diversos países mostrou que só 4% das mulheres entrevistadas se consideravam bonitas. Como você pode ajudar outra mulher a se sentir melhor – não apenas com sua aparência, mas com suas outras qualidades? Torne-se parte da solução e não do problema! Olhe para o lado. Provavelmente você cruza com mulherões da porra todos os dias. Mas raramente você fala isso a elas. Infelizmente, vivemos numa cultura que incita a rivalidade feminina. “Ah, mas não sou rival de ninguém”. Sim, mas bem sabemos que desde cedo somos estimuladas, ainda que inconscientemente, a julgar e a competir umas com as outras.  Bad vibes Somado a isso, a autocrítica feminina é bem ferrenha. A gente se enxerga bem pior que os outros nos veem. Exemplos temos aos montes (como essa ótima campanha do Retrato Falado, da Dove). A sororidade é um movimento que vai contra isso, porque fortalece a união das mulheres, resgatando o respeito e a empatia. E é um exercício, portanto exige treino constante. Se a gente …