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Mostrando postagens de 2017

Você já elogiou outra mulher hoje?

Pesquisa feita em diversos países mostrou que só 4% das mulheres entrevistadas se consideravam bonitas. Como você pode ajudar outra mulher a se sentir melhor – não apenas com sua aparência, mas com suas outras qualidades? Torne-se parte da solução e não do problema! Olhe para o lado. Provavelmente você cruza com mulherões da porra todos os dias. Mas raramente você fala isso a elas. Infelizmente, vivemos numa cultura que incita a rivalidade feminina. “Ah, mas não sou rival de ninguém”. Sim, mas bem sabemos que desde cedo somos estimuladas, ainda que inconscientemente, a julgar e a competir umas com as outras.  Bad vibes Somado a isso, a autocrítica feminina é bem ferrenha. A gente se enxerga bem pior que os outros nos veem. Exemplos temos aos montes (como essa ótima campanha do Retrato Falado, da Dove). A sororidade é um movimento que vai contra isso, porque fortalece a união das mulheres, resgatando o respeito e a empatia. E é um exercício, portanto exige treino constante. Se a gente …

Carta para minha irmã

Uma carta não apenas sobre minha irmã, mas sobre a relação com uma parte de mim. Minha irmã, Quando eu soube que você viria, eu jamais imaginaria o quão fantástico seria ter você na minha vida. Já tinha nosso irmão mais velho, mas não sabia os sentimentos profundos que nascem junto com uma irmã. No dia que você nasceu, tudo já tinha sua presença e eu aguardava com a ansiedade natural a espera de uma nova vida, de uma nova parte da nossa família. Embora muita gente quisesse, mesmo sem consciência disso, estimular uma rivalidade entre nós, insinuando que eu seria deixada de lado ou perderia uma suposta exclusividade, do alto dos meus oito anos eu sabia que dali para frente seria impossível não ser sua aliada. Seria impensável não ser sua parceira, não estar do seu lado, não optar pela irmandade. Sempre. E sempre. Acho que nunca brigamos de verdade, ou pelo menos as brigas devem ter sido tão pequenas que se dissiparam nos meus fluidos de memória. Lembro-me de me irritar com seu jeito, com…

Os peixes no aquário

Olhei para os peixes, nadando placidamente no aquário. Ocupando o espaço especialmente construído para este fim. Nadando placidamente. Objeto de decoração. Preenchendo o aquário, recortado, montado, criado, especialmente para este fim. Escolhidos a dedo, os peixes, bonitos, de preferência bem vistosos, coloridos, decorados. É preciso ainda que nadem. E brinquem, vez em quando outra, com as plantas subaquáticas, recortadas, montadas, criadas especialmente para este fim. O aquário é objeto de decoração, parque de diversões, paraíso artificial dos peixes especialmente reunidos, não por afinidades, não por laços consanguíneos. Os peixes no aquário selecionados, especialmente recortados, montados e criados para serem coloridos, vistosos, decorados. Plácidos. Não há predadores no recorte. Moleza. O caminho é fácil, plácido, colorido e selecionado. Basta nadar. Não há nem que seguir a corrente, pois o balanço do recorte subaquático é especialmente criado e artificialmente criado para este f…

Empurre sua vaquinha do precipício. Agora.

Calma. O conselho não é literal, só metafórico. Foi uma amiga que me lembrou dessa história antiga, um conto budista sobre um sábio mestre, seu jovem aprendiz, uma família muito pobre e, claro, a vaquinha. Desde que ouvi essa anedota, tenho acompanhado muitas “vaquinhas” jogadas precipício afora e todas elas me fizeram pensar o quanto esse conselho é válido.
Um mestre, muito sábio, peregrinava junto com seu jovem discípulo. Avistaram uma casa muito pobre, caindo aos pedaços e decidiram pedir abrigo por uns dias. A família pobre, mas muito generosa, acolheu os dois. Na manhã seguinte, o mestre perguntou à família como faziam para sobreviver, uma vez que não havia comércio na região e no quintal não havia plantação. O pai da família respondeu que graças a Deus tinham uma vaquinha, que produzia leite do qual tiravam todo o sustento. O leite, ou derivados, era trocado e vendido para comerciantes de outras cidades. O mestre agradeceu a estada e, depois de uns dias, decidiu que iriam embor…

Nós temos 30 anos. Ainda. E não já.

Uma amiga se queixou de estar levando algumas coisas muito a ferro e fogo. Eu disse para ela não se culpar, porque ainda temos muito a amadurecer. Temos tanto a percorrer em relação à maturidade, equilíbrio, leveza. “Poxa, temos só 30 anos”, falei. E ela devolveu. “É né? 30 anos ainda. E não: JÁ?”.
Fiquei pensando que, antigamente, 30 anos era muita coisa. E a gente, mesmo tendo outra maneira de viver, segue baseado em outro modelo mental. Muitos dos nossos parâmetros estão ancorados em outras gerações. A gente se cobra aos 30 anos de ser super bem sucedido, ter comprado uma casa, tido dois filhos, um cachorro, um gato e ainda uma poupança rechonchudinha, assim como talvez nossos pais tinham. Ou quiseram. Até aí ok, nada de novo debaixo do sol. Os tempos mudaram, não podemos galgar padrões antigos.
A maturidade também entra aí, nessa discrepância de parâmetros. Será que não estamos nos cobrando demais aos 30, nós, que tivemos outras experiências, outras trajetórias? Nós, que vivemos e…

Vamos falar sobre sororidade?

Agora sou colunista do Site Da Pimenta e estreei nesta semana com um texto sobre sororidade :)
A primeira vez que ouvi falar algo parecido com isso foi quando eu era criança, porque na pequena cidade interiorana onde eu morava havia uma escola cujo nome era Sóror Angélica. Sóror era uma palavra estranha, não parecia nome de mulher, apesar de estar acompanhado pelo nome de uma. Soube depois que Sóror significava irmã, de congregação religiosa, e só anos mais tarde a palavra sororidade e sua ideia de irmandade mudariam minha vida para sempre.
União, respeito e solidariedade entre mulheres. Pode parecer simples entender o significado de sororidade e achar fácil praticá-la. Se somos mulheres e sabemos bem quais são os sapatos que diariamente nos apertam, nada mais justo do que apoiarmos umas às outras. Só que agir com sororidade com outras manas é difícil nas pequenas nuances cotidianas.

No dia a dia, na prática, qual é a dessa tal de sororidade? Vejamos.

A rivalidade feminina é construída

Estou bem cansada

E não é pelos afazeres ou pela rotina. Estou cansada mesmo de ver mulherões sofrerem por amores meio bosta. Sei que em um relacionamento existe um equilíbrio, que às vezes um ensina tanto o outro que bobeira é pensar que se começa numa disputa. Mas eu tô mesmo cansada e triste em ver um monte de mulheres que eu admiro pra caramba se doando bem mais que recebendo. E quando a recíproca não é verdadeira, meus amigos, eu tô falando é de um monte de homens babacas. Não é colocá-las em posição de vítima, nunquinha. Até porque, como mulherões, sabe-se que mais que tudo elas são bem inteligentes. Elas batalham, elas se desdobram nas jornadas e, óbvio, triunfam.





Não estou falando de mulheres enganadas, coitadinhas. Estou falando de mulheres que conquistam tudo que querem e ainda estão em falta nos relacionamentos por se envolverem com caras que estão em Dans bem – eu disse bem – menores. O que é meu cansaço então? É de saber que a gente está sempre numa posição de querer saber mais, de querer…

O novo

Uma amiga comparou o ato de levantar da cama nesse tempo frio com a sensação de nascer. Metáfora interessante para o sofrimento de sair da zona de conforto. Mais do que o amanhecer do proletariado, passei a comparar qualquer projeto novo como um parto. Não só pela ideia de trabalhoso, difícil. Mas também. O novo dói quanto parir. Eu mesma tenho vivido um rompimento de bolsas e cordões umbilicais. Porque o novo é justamente isso. Uma claridade absurda de novas ideias e sensações e quando você está se acostumando com tudo isso, PÁ!
Um tapa sem choro nem vela te obriga a respirar. Mostrar serviço.
Em todas as minhas novas experiências, não bastasse o surgimento de centenas de novos estímulos, algumas provações vêm junto no pacote. Parece até que é o universo te dando um pequeno resumo do que vem pela frente. “Tá certo mesmo disso, campeão? E PÁ! Toma-lhe tapa.
Tem horas que a necessidade do novo urge de tal forma como as contrações de um parto. A gente sabe que é a hora, não tem outra saíd…

O que fazer quando o interruptor se apaga

A palavra “desligado” é muito forte. Parece que alguém apertou um botão e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo.
Fui desligada há duas semanas e pela primeira vez na vida. Quando penso nas contas fixas, ainda dá um certo medinho, confesso. Mas tem outro sentimento que vem daí. A palavra “desligada” é muito forte. Parece que alguém apertou um interruptor e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo. Ser desligada é sair de um grupo, por mais que você não seja tão fã dele. É romper uma rotina com a qual você aprendeu a lidar por algum tempo. É até reclamar da segunda-feira, não ter mais que bater o cartão no sentimento de ser parte do proletariado. Fazer parte, aliás, é algo que some quando você tem que voltar à antiga empresa para resolver qualquer coisa. Por mais que se tenha uma boa relação, o lance do interruptor faz sentido porque você é sutilmente visto e tratado como um corpo estranho de um dia para o outro. Não importa que tudo esteja bem resolvido. É inegável…

Sobre a utopia

Uma das coisas mais lindas que já ouvi na vida. Mais lindas porque justamente me fazem não desistir de caminhar. Nunca. ***
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano citando Fernando Birri


A filosofia do “ele quem?”

(Em tempo. Este texto foi escrito há dois anos e publicado originalmente aqui. Decidi republicá-lo porque ele ainda descreve muito bem como ter uma mãe virginiana e nordestina me define).
***
Minha mãe é nordestina e virginiana, o que a torna um misto de praticidade e dureza que não me era fácil entender quando criança. Aquele sentimento materno de doçura, compreensão e colo em qualquer circunstância era lindo... Na televisão. Eu achava bem difícil não poder chorar, nunca, nunca, nunca, pois nada era suficientemente ruim para merecer meu sofrimento. Eu vi minha mãe chorando duas vezes. DUAS. Na vida. Isso não quer dizer que minha mãe não sofre, quer dizer que minha mãe é forte.
Eu sou escorpiana, tenho ascendente e Lua em Peixes, portanto, sou só água. Isso quer dizer que água verte dos meus olhos desde sempre. Choro muito. Vivemos toda a vida assim. Não deixei de chorar, minha mãe não deixou de ignorar meus choros. Sou bem grata a ela. Acho que não endureci, mas aprendi que chorando o…