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Mostrando postagens de 2017

Estou bem cansada

E não é pelos afazeres ou pela rotina. Estou cansada mesmo de ver mulherões sofrerem por amores meio bosta. Sei que em um relacionamento existe um equilíbrio, que às vezes um ensina tanto o outro que bobeira é pensar que se começa numa disputa. Mas eu tô mesmo cansada e triste em ver um monte de mulheres que eu admiro pra caramba se doando bem mais que recebendo. E quando a recíproca não é verdadeira, meus amigos, eu tô falando é de um monte de homens babacas. Não é colocá-las em posição de vítima, nunquinha. Até porque, como mulherões, sabe-se que mais que tudo elas são bem inteligentes. Elas batalham, elas se desdobram nas jornadas e, óbvio, triunfam.





Não estou falando de mulheres enganadas, coitadinhas. Estou falando de mulheres que conquistam tudo que querem e ainda estão em falta nos relacionamentos por se envolverem com caras que estão em Dans bem – eu disse bem – menores. O que é meu cansaço então? É de saber que a gente está sempre numa posição de querer saber mais, de querer…

O novo

Uma amiga comparou o ato de levantar da cama nesse tempo frio com a sensação de nascer. Metáfora interessante para o sofrimento de sair da zona de conforto. Mais do que o amanhecer do proletariado, passei a comparar qualquer projeto novo como um parto. Não só pela ideia de trabalhoso, difícil. Mas também. O novo dói quanto parir. Eu mesma tenho vivido um rompimento de bolsas e cordões umbilicais. Porque o novo é justamente isso. Uma claridade absurda de novas ideias e sensações e quando você está se acostumando com tudo isso, PÁ!
Um tapa sem choro nem vela te obriga a respirar. Mostrar serviço.
Em todas as minhas novas experiências, não bastasse o surgimento de centenas de novos estímulos, algumas provações vêm junto no pacote. Parece até que é o universo te dando um pequeno resumo do que vem pela frente. “Tá certo mesmo disso, campeão? E PÁ! Toma-lhe tapa.
Tem horas que a necessidade do novo urge de tal forma como as contrações de um parto. A gente sabe que é a hora, não tem outra saíd…

O que fazer quando o interruptor se apaga

A palavra “desligado” é muito forte. Parece que alguém apertou um botão e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo.
Fui desligada há duas semanas e pela primeira vez na vida. Quando penso nas contas fixas, ainda dá um certo medinho, confesso. Mas tem outro sentimento que vem daí. A palavra “desligada” é muito forte. Parece que alguém apertou um interruptor e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo. Ser desligada é sair de um grupo, por mais que você não seja tão fã dele. É romper uma rotina com a qual você aprendeu a lidar por algum tempo. É até reclamar da segunda-feira, não ter mais que bater o cartão no sentimento de ser parte do proletariado. Fazer parte, aliás, é algo que some quando você tem que voltar à antiga empresa para resolver qualquer coisa. Por mais que se tenha uma boa relação, o lance do interruptor faz sentido porque você é sutilmente visto e tratado como um corpo estranho de um dia para o outro. Não importa que tudo esteja bem resolvido. É inegável…

Sobre a utopia

Uma das coisas mais lindas que já ouvi na vida. Mais lindas porque justamente me fazem não desistir de caminhar. Nunca. ***
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano citando Fernando Birri


A filosofia do “ele quem?”

(Em tempo. Este texto foi escrito há dois anos e publicado originalmente aqui. Decidi republicá-lo porque ele ainda descreve muito bem como ter uma mãe virginiana e nordestina me define).
***
Minha mãe é nordestina e virginiana, o que a torna um misto de praticidade e dureza que não me era fácil entender quando criança. Aquele sentimento materno de doçura, compreensão e colo em qualquer circunstância era lindo... Na televisão. Eu achava bem difícil não poder chorar, nunca, nunca, nunca, pois nada era suficientemente ruim para merecer meu sofrimento. Eu vi minha mãe chorando duas vezes. DUAS. Na vida. Isso não quer dizer que minha mãe não sofre, quer dizer que minha mãe é forte.
Eu sou escorpiana, tenho ascendente e Lua em Peixes, portanto, sou só água. Isso quer dizer que água verte dos meus olhos desde sempre. Choro muito. Vivemos toda a vida assim. Não deixei de chorar, minha mãe não deixou de ignorar meus choros. Sou bem grata a ela. Acho que não endureci, mas aprendi que chorando o…

Fuga

Quando eu era criança, dizia que ia fugir de casa diante do menor obstáculo. Certa vez, mal saída das fraldas, coloquei umas coisinhas numa sacola, abri a porta e disse que ia 'pa patubanco'! Fiquei uns minutinhos na escada do prédio e logo entrei. Mal sabia eu que, já adulta, também me daria vontade de fugir. Mas, agora, a fuga seria PARA casa. A minha, a nossa, a dela. Pegar as coisas e partir para meu recanto, onde me sinto tão bem. Às vezes, mãe, sinto vontade de fugir pra você. Mas te agradeço por ter me ajudado a voar. Te amo! 

♡♡♡❤❤❤



Este texto é de 3 anos atrás, mas ainda faz muito sentido. À minha mãe guerreira, forte, linda, um Feliz Dia das Mães. De longe te abraço apertado, como queria estar perto.

Árvores

Meu pai sempre falava de um documentário a que havia assistido, sobre a inteligência das árvores, referindo-se ao belo exemplar que temos em nosso jardim. Hoje encontrei no YouTube o doc, que é francês e chama 'Arbres' (Árvores), e pude compreender sua admiração. E se as árvores são nossas ancestrais e eu também pudesse ser uma, certamente seria o mangue: aquele que desafia o destino de ser imóvel e avança, morrendo de um lado para crescer de outro. Menos importante que o destino, a felicidade do mangue é o movimento ❤

❤️

Mala cheia

"O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já." (José Saramago) Obrigada, Minas, por me receber com mochila nas costas, por me mostrar seus maiores patrimônios - a comida boa e a hospitalidade - por me fazer me redescobrir em mais uma aventura sozinha, mas principalmente, por encher minha mala de paisagens, experiências e sonhos. Volto já.  ❤


Inhotim ❤️

Esquina, Clube da

"Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente, gente..." Nesta minha viagem de ventania, que chamo de estrada trilhada, sonhei um dia em ver esta esquina. Contei compasso, contei comigo e vi ali homens, sonhos e um rio de asfalto serpenteando a esquina. Esta esquina.



Esquina onde foi criado o Clube da Esquina, em Belo Horizonte-MG
❤️





Aniversário

Gosto de pensar em aniversário como a inauguração de um novo ciclo, um marco, um rito de passagem. Hoje pensei na fantástica ideia de todas as mulheres renascendo. Não como brotam as rosas. Pra ser mulher neste mundo, é preciso ser planta do agreste. Só assim pra sobreviver a tanta secura, a tanta agressão.
Hoje pela manhã presenciei um jogo de "eu nunca" em que várias mulheres assumiam algo, mas sob o viés de que aquilo nunca tinha acontecido. "Eu nunca fui humilhada por ser mulher", "Eu nunca fui molestada no ônibus e fiquei com vergonha de gritar", "Eu nunca vivi um relacionamento abusivo", "Eu nunca perdi um emprego por ser mulher", "Eu nunca odiei outra mulher por ela ser livre". Nesse confessionário eu lia e chorava baixinho, a cada nunca que é sempre tão sempre.
Meu desejo é que cada mulher renasça hoje. Que a gente enfrente nossos demônios internos e que sejamos fortes, mesmo com o mundo sendo tão hostil.
Que a gente s…

A saia da Carol

Comprei essa saia da Carol, que colocou quase tudo dela à venda na Internet. Sempre fui um pouco contra comprar coisas dos outros, por acreditar que imprimimos nossas energias no que temos. A diferença é que a boa energia da Carol emanava de longe. Mudou o projeto, a rota e São Paulo ficou pra trás. Deixou um apartamento perto do Minhocão, do qual levou mesmo uns dois gatos. A Carol era tão querida e tão inspiradora que eu quis ser um pouco como ela. Era 2013, eu tinha acabado de me mudar pra Consolação e queria ter a certeza que a Carol tinha, que nem tudo precisa ser levado, a gente pode espalhar a nossa energia por aí. E ir. Quando eu visto a minha saia florida e rodada sou mais Carol. Sou ainda mais eu ♥