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Mostrando postagens de Junho, 2017

O que fazer quando o interruptor se apaga

A palavra “desligado” é muito forte. Parece que alguém apertou um botão e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo.
Fui desligada há duas semanas e pela primeira vez na vida. Quando penso nas contas fixas, ainda dá um certo medinho, confesso. Mas tem outro sentimento que vem daí. A palavra “desligada” é muito forte. Parece que alguém apertou um interruptor e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo. Ser desligada é sair de um grupo, por mais que você não seja tão fã dele. É romper uma rotina com a qual você aprendeu a lidar por algum tempo. É até reclamar da segunda-feira, não ter mais que bater o cartão no sentimento de ser parte do proletariado. Fazer parte, aliás, é algo que some quando você tem que voltar à antiga empresa para resolver qualquer coisa. Por mais que se tenha uma boa relação, o lance do interruptor faz sentido porque você é sutilmente visto e tratado como um corpo estranho de um dia para o outro. Não importa que tudo esteja bem resolvido. É inegável…

Sobre a utopia

Uma das coisas mais lindas que já ouvi na vida. Mais lindas porque justamente me fazem não desistir de caminhar. Nunca. ***
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano citando Fernando Birri


A filosofia do “ele quem?”

(Em tempo. Este texto foi escrito há dois anos e publicado originalmente aqui. Decidi republicá-lo porque ele ainda descreve muito bem como ter uma mãe virginiana e nordestina me define).
***
Minha mãe é nordestina e virginiana, o que a torna um misto de praticidade e dureza que não me era fácil entender quando criança. Aquele sentimento materno de doçura, compreensão e colo em qualquer circunstância era lindo... Na televisão. Eu achava bem difícil não poder chorar, nunca, nunca, nunca, pois nada era suficientemente ruim para merecer meu sofrimento. Eu vi minha mãe chorando duas vezes. DUAS. Na vida. Isso não quer dizer que minha mãe não sofre, quer dizer que minha mãe é forte.
Eu sou escorpiana, tenho ascendente e Lua em Peixes, portanto, sou só água. Isso quer dizer que água verte dos meus olhos desde sempre. Choro muito. Vivemos toda a vida assim. Não deixei de chorar, minha mãe não deixou de ignorar meus choros. Sou bem grata a ela. Acho que não endureci, mas aprendi que chorando o…