O novo

Uma amiga comparou o ato de levantar da cama nesse tempo frio com a sensação de nascer. Metáfora interessante para o sofrimento de sair da zona de conforto. Mais do que o amanhecer do proletariado, passei a comparar qualquer projeto novo como um parto. Não só pela ideia de trabalhoso, difícil. Mas também. O novo dói quanto parir. Eu mesma tenho vivido um rompimento de bolsas e cordões umbilicais. Porque o novo é justamente isso. Uma claridade absurda de novas ideias e sensações e quando você está se acostumando com tudo isso, PÁ!

Um tapa sem choro nem vela te obriga a respirar. Mostrar serviço.

Em todas as minhas novas experiências, não bastasse o surgimento de centenas de novos estímulos, algumas provações vêm junto no pacote. Parece até que é o universo te dando um pequeno resumo do que vem pela frente. “Tá certo mesmo disso, campeão? E PÁ! Toma-lhe tapa.

Tem horas que a necessidade do novo urge de tal forma como as contrações de um parto. A gente sabe que é a hora, não tem outra saída. Aí é só esperar a hora. E fazer força. Às vezes a gente dá à luz, às vezes parem com a gente. Mas acredite, era hora. Dói o desespero de se saber sozinho diante de um mundo novo se descortinando. Mas, quer saber? No final, não somos todos?

Alguns partos doem mais do que os outros. Há quem mude de casa, de cidade, de país. Há aqueles que começam uma nova carreira, um novo emprego. E tem aqueles que põem tudo abaixo e se recomeçam. Tijolinho por tijolinho. Um grande restart. Dói mais que sair das cobertas num pré-inverno. A bolsa rompida chega deságua.

Parto é sofrido, mas só pela dor se nasce. Dizem que com a criança nascem juntos uma mãe, um pai, uma família. Com os partos da vida nascem os fortes, os corajosos. Nascem aqueles que ouvem o chamado da mudança e sabem que a única opção para conhecer o rosto do novo é sofrer a dor do parto. E toma-lhe tapa.

Bem-vindo a um novo mundo, campeão.

Toulouse-Lautrec, Henri de (1892)
A cama, Le lit, The bed

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