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Mostrando postagens de Agosto, 2017

Carta para minha irmã

Uma carta não apenas sobre minha irmã, mas sobre a relação com uma parte de mim. Minha irmã, Quando eu soube que você viria, eu jamais imaginaria o quão fantástico seria ter você na minha vida. Já tinha nosso irmão mais velho, mas não sabia os sentimentos profundos que nascem junto com uma irmã. No dia que você nasceu, tudo já tinha sua presença e eu aguardava com a ansiedade natural a espera de uma nova vida, de uma nova parte da nossa família. Embora muita gente quisesse, mesmo sem consciência disso, estimular uma rivalidade entre nós, insinuando que eu seria deixada de lado ou perderia uma suposta exclusividade, do alto dos meus oito anos eu sabia que dali para frente seria impossível não ser sua aliada. Seria impensável não ser sua parceira, não estar do seu lado, não optar pela irmandade. Sempre. E sempre. Acho que nunca brigamos de verdade, ou pelo menos as brigas devem ter sido tão pequenas que se dissiparam nos meus fluidos de memória. Lembro-me de me irritar com seu jeito, com…

Os peixes no aquário

Olhei para os peixes, nadando placidamente no aquário. Ocupando o espaço especialmente construído para este fim. Nadando placidamente. Objeto de decoração. Preenchendo o aquário, recortado, montado, criado, especialmente para este fim. Escolhidos a dedo, os peixes, bonitos, de preferência bem vistosos, coloridos, decorados. É preciso ainda que nadem. E brinquem, vez em quando outra, com as plantas subaquáticas, recortadas, montadas, criadas especialmente para este fim. O aquário é objeto de decoração, parque de diversões, paraíso artificial dos peixes especialmente reunidos, não por afinidades, não por laços consanguíneos. Os peixes no aquário selecionados, especialmente recortados, montados e criados para serem coloridos, vistosos, decorados. Plácidos. Não há predadores no recorte. Moleza. O caminho é fácil, plácido, colorido e selecionado. Basta nadar. Não há nem que seguir a corrente, pois o balanço do recorte subaquático é especialmente criado e artificialmente criado para este f…

Empurre sua vaquinha do precipício. Agora.

Calma. O conselho não é literal, só metafórico. Foi uma amiga que me lembrou dessa história antiga, um conto budista sobre um sábio mestre, seu jovem aprendiz, uma família muito pobre e, claro, a vaquinha. Desde que ouvi essa anedota, tenho acompanhado muitas “vaquinhas” jogadas precipício afora e todas elas me fizeram pensar o quanto esse conselho é válido.
Um mestre, muito sábio, peregrinava junto com seu jovem discípulo. Avistaram uma casa muito pobre, caindo aos pedaços e decidiram pedir abrigo por uns dias. A família pobre, mas muito generosa, acolheu os dois. Na manhã seguinte, o mestre perguntou à família como faziam para sobreviver, uma vez que não havia comércio na região e no quintal não havia plantação. O pai da família respondeu que graças a Deus tinham uma vaquinha, que produzia leite do qual tiravam todo o sustento. O leite, ou derivados, era trocado e vendido para comerciantes de outras cidades. O mestre agradeceu a estada e, depois de uns dias, decidiu que iriam embor…